Como Narrar Usando o Fate — Parte 2 de 4

Olá pessoas!

Estamos de volta com a continuação do artigo da comunidade de Fate Core existente no Google+ do Robert Hanz. 

Nota: não é uma sequência “oficial”, visto que foi um jogador quem a publicou. É somente uma boa forma de organizar informações levando em conta as características do Fate em comparação com RPGs mais tradicionais que o próprio Robert encontrou por experiência com ele.

Autor: Robert Hanz
Tradução e adaptação: Pedro Gustavo
Revisão: Fábio Silva
Origem: https://goo.gl/cbndSS

Passo Cinco: Criação de Arcos

Este é um passo separado do que o passo quatro anteriormente descrito porque acaba sendo um loop em jogos longos, sendo revisitado sempre que um arco é resolvido ou pelo menos começa a sê-lo.

A criação de arcos é normalmente feita tomando uma das ideias preliminares criadas no passo quatro. Foque nos PdNs e não nos eventos. Quem está querendo alcançar o que, quem poderá estar no caminho, quem os ajudará e, talvez mais importante, como os PJs acabam arrastados para isso? Os melhores arcos são sobre os PJs de uma forma ou de outra e não funcionariam se existisse um conjunto diferente de personagens. Esta é uma boa lógica a ser seguida.

Então, para a criação de arcos, tente responder algumas questões gerais e deixe-as. As questões são:

0) Por que isso é relevante para os PJs?

1) Quem está envolvido nisso?

2) O que eles estão tentando alcançar?

3) Quem pode estar se opondo a eles?

4) Quem pode estar ajudando-os?

5) O que farão se não houver oposição?

A questão zero é especialmente importante. Sempre que possível, as ações devem decorrer diretamente dos PJs, de alguma forma. Isso se torna mais fácil a partir do segundo arco. No mínimo, o que acontece, deve ser alguma coisa que vá diretamente em encontro a algum dos PJs de alguma forma.

Narradores e jogadores mais tradicionais talvez achem isto artificial. O foco, nesse caso, é a história: os eventos são diretamente sobre os personagens e frequentemente coloca seus conflitos internos em foco. Isto envolve os personagens e jogadores mais diretamente e torna eles o centro da história. É o que faz com que Star Wars não seja apenas uma história sobre atirar lasers, mas sim, uma história mais significativa sobre as trevas dentro de nós e a tentação que elas provocam.  Isto é o que nos dá os inimigos que jogadores amam odiar.

Uma das razões principais de usar inimigos criado pelo jogador, quando possível, é por um simples fato de investimento. Jogadores se importam sobre coisas baseadas no tanto que eles investiram nelas. Narradores frequentemente esquecem disso. O grande vilão que nós criamos é divertido para nós porquê nós investimos energia neles. Os jogadores não se importam com isso até que o grande vilão toque alguma coisa em que eles investiram energia. Ao roubar a oposição dos jogadores, nós começamos com algum nível de investimento, mesmo que este não seja nada além de um nome dado pelos jogadores! Isso acaba criando um jogo mais envolvente para todos.

Passo seis: preparação pré-jogo

Agora que você tem o jogo e a preparação do arco prontos, é hora de preparar a sessão. Felizmente, isto é bem fácil.

1) O que mudou no mundo desde a última vez que vocês jogaram ou qual foi o resultado da última sessão? Esta é a forma de dar uma passada em todos os PdNs do jogo e no que eles estão fazendo. Como eles reagirão aos eventos do último jogo? Como seus planos mudaram?

2) O que os PdNs relevantes estão pra fazer? Descubra isto e novos eventos vão surgir por si sós.

3) Dê uma olhada nas fichas dos personagens buscando por boas complicações ou aspectos pra forçar. Sempre tente fazer com que as coisas voltem o foco aos personagens.

4) Você tem uma ideia de pra onde os personagens vão nessa sessão? Tomara que sim! Fate é um jogo sobre personagens proativos, então geralmente eles estão em movimento o tempo todo. Se não, tudo bem. Você poderá fazê-los se mover.

5) Prepare algumas granadas de mão. Essas são eventos que ocorrem e que demandam uma resposta imediata de algum PJ. Elas deverão tornar a história mais interessante. Elas podem ou não ser aspectos forçados de alguém, mas se forem amarradas a algum personagem ou aspecto, melhor ainda! PdNs encontrando PJs para ajudá-los, revelações, ações de PdNs, são exemplos de granadas de mão.

Exemplo:

Os PJs estavam investigando alguns bandidos que acabaram se revelando como estando infestados por demônios. Um dos PJs tem o aspecto Não confio em um rostinho bonit” enquanto que outro tem Propenso a ajudar aqueles em necessidade. Eles têm o aspecto de situação Eles sabem quem somos em resposta a uma concessão na sessão anterior. A granada de mão é uma bandida infestada por demônios vindo aos Pjs e pedindo por ajuda. Demanda uma ação? Sim. Envolve aspectos dos jogadores e cria um conflito interessante? Com certeza.

6) Rascunhe possíveis cenários, se eles aparecerem. Tente não fazer isso com frequência, visto que acaba sendo um investimento em um curso de ações dos PJs. Como narrador, é muito fácil pensar “o que eles vão fazer” e sutilmente guiá-los naquela direção. Evite pensar no que os PJ farão. Ao invés disso, crie situações interessantes e, como se fosse um fã dos PJs, fique animado em como eles lidarão com elas.

Passo sete: rodando a sessão — início

Agora entramos na coisa boa! Junte os jogadores, espalhe os petiscos e as bebidas, ofereça tudo o que for necessário, cheque atualizações das fichas se for preciso, peça para um jogador recapitular a última sessão.

Se esta é a primeira sessão, já inicie com o incidente ou encontro inicial e comece com os personagens dentro da ação. Se não, é hora daquela questão: o que você faz?

Se quiser voltar ao início deste texto, veja a parte 1.

Para a definições de cenas, veja a parte 3.

Para encerrar a sessão, veja a parte 4.

Bom jogo e +4 a todos.

Facebook Comments

RPGista há mais de uma década, viu em Fate um boa alternativa para a época de ouro de jogos genéricos obtida com GURPS. Foca em narrar imersivamente para que cada personagem se sinta dentro da história e traga pra vida experiências incríveis.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *