À Caça! – Relato de Sessão: O diário de um assassino, dia 1.

Sei que ainda vou me arrepender disso, mas preciso me aproximar de Emérittos de alguma forma. A trilha do meu tio me levou a essa seita chamada de “Os inomináveis” e acredito que ele possa me levar à alguma outra pista. Estou cansado de ficar dando voltas já. Preciso de um avanço. Já faz alguns meses que o sigo com sucesso e a cada dia que passa vejo mais merda acontecendo. Que grupo maluco. Raidek me parece ser uma pessoa de convicções simples, fácil de lidar, em contrapartida àquele tal de Zero. Algo nele me deixa inquieto.

Os segui até um hotel. O quarto que aluguei no prédio em frente foi perfeito para tocaia. Tinha uma boa visão do hotel. Até aquele momento tudo estava “normal”, pelo menos dentro dos parâmetros para esses três. Quando saíram é que começou a festa: um corpo decapitado sendo levado pelo Raidek; o que suponho ser a cabeça do corpo nas mãos de Zero; e um outro corpo, amarrado, nos ombros de Emérittos. Devem precisar dele para alguma coisa. Preciso descobrir do que se trata…

Como imaginei, Zero tem algo a esconder. Ele desapareceu em uma nuvem de fumaça após falar algo para os outros dois e levou consigo a cabeça. Droga, vou ter que intervir. Agora que a polícia chegou, se eles os pegarem, vou ter problemas para tirá-los dessa. Preciso correr e tirá-los de lá de alguma forma, mas antes vou correr para falar com aquele faxineiro no hotel. Foi bom ter subornado aquele faxineiro antes. Ele pode me dar alguma coisa, preciso correr. Só anotar essas placas da 10° DP por via das dúvidas.

RETARDADO! Você está correndo por que? Posso ligar pro Joaquim!!! Vai ser mais rápido né William. Idiota, não estamos na idade média…

Merda. Porque sou tão azarado?!? Aquele verme do faxineiro estava me enrolando. Ele é subordinado de alguém! Mesmo escutando uma barulheira dos infernos, ele me disse que estava tudo bem quando perguntei se estava acontecendo alguma coisa por lá. Será que ele está com Zero? É bem provável. Que se foda, agora preciso tirar aqueles malucos de lá.

Chegando na calçada em frente ao hotel, vejo as costas dos policiais mais expostas que bunda de passista em semana de carnaval. Como é linda essa época…FOCO William!!

Não posso mata-los, são muitos e vai levar mais tempo do que tenho. Já sei: vou furar os pneus das viaturas. Ainda bem que estão distraídos, nem vão me notar.

Num ótimo timing, Raidek e Emérittos começaram a correr justo no momento que acabei de furar os pneus. Isso deve atrasar os policiais por tempo suficiente enquanto sigo agora aqueles dois.

Enquanto os seguia, por “coincidência” encontro alguém que não via há algum tempo. Aquele rapaz que me atrapalhou com um vampiro a uns dois anos atrás…qual era mesmo o nome dele? Ah, foda-se. Depois me preocupo com isso. Parece que ele também está atrás dele. Vou aproveitar a deixa e pegar uma carona… o bom samaritano está roubando um carro. Não deve ser tão puritano assim. Ótimo.

Entro no carro do sujeito, ele me reconhece: “Lembra de mim? Preciso seguir aqueles dois, e pelo visto você também. Toca pra frente. ”

Seguimos os dois até fora da cidade, em uma estrada secundária à rodovia, passando por uma árvore estranha. Ela tinha flores vermelhas. Fácil de lembrar. Quando chegamos ao que parecia um beco sem saída (a estrada acabava em uma parede de pedra), descemos do carro. Raidek e Emérittos desceram também.

Como o sujeito começou a falar mais do que deveria primeiro, vou deixar rolar e ver aonde chega a conversa. Não quero falar mais do que devo. Pelo menos agora sei que o nome dele é João. Ele e Emérittos se entenderam e vão entrar naquela pedra. Deve ter uma passagem secreta, já que me pediram para ficar de costas. Não consegui ver nada sobre como entrar. Preciso de acesso. Deve ter alguma coisa sobre os inomináveis ali dentro. Pelo menos agora sei que o corpo sem cabeça era o de um Behemoth. E o melhor? Ele era pastor. PASTOR!! Quero até ver as ovelhas… Deve ter algo no livro do meu tio. Depois pesquiso.

Raidek ficou de fora pra me vigiar. Pobre coitado. Me vigiar. Eu. De noite… hahahaha. Vou deixar ele se sentir seguro. As vezes consigo algo dele, mas deve ser difícil. Me aparenta estar bem desconfiado. Ele não vai deixar passar alguma informação fácil.

Depois de uma loooonga espera, Emérittos e João saíram da gruta acompanhados de uma terceira pessoa. Parecia estar bem abatido. Bom, que seja. Parece que João fez minha imagem para eles lá dentro. Agora tenho acesso. É uma biblioteca lá dentro. Deve ter uma informação valiosa. Acredito que vai me ser útil. Melhor jogar limpo agora pra me poupar trabalho lá na frente. Ele não vai ter muito o que fazer com o que vou falar mesmo…

Conto toda a minha história para Emérittos enquanto buscamos sozinho o corpo do Behemoth lá fora. Ele me aceitou numa boa, mas agora preciso ajuda-los. Bom, não esperava que iria sair tudo de graça mesmo. Vou ajudá-los por enquanto. Até porque, achei interessante esse Behemoth. Nunca havia visto um. Me pergunto o que ele estaria metido pra dar toda aquela merda no hotel. Hora da pesquisa.

Aviso a Emérittos que vou levar o carro e que vou sair à procura de informações. Claro que não vou com esse carro direto pro albergue. Preciso largar ele em algum lugar longe. De resto, vou de metrô ou algum outro jeito…

Chegando no apartamento, pesquiso no livro do meu tio. Ainda me surpreendo com as coisas que encontro aqui. Não tive paciência de decorá-lo ainda. Não queria depender desse livro. Sempre me lembro dele quando o uso, mas é preciso.

Eis o que encontro: “Behemoth é o nome de uma criatura descrita na Bíblia, no livro de Jó, 40:15–24. Sua descrição é tradicionalmente associada à de um monstro gigante, podendo ser retratado como um leão monstruoso, apesar de alguns criacionistas o identificarem como um saurópode ou um touro gigante de três chifres. Em uma outra análise vemos este como um animal pré-histórico muito conhecido como braquiossauro. Os relatos no livro de Jó, capítulo 40, apontam para este grande herbívoro. Esta criatura tem um corpo couraçado e é típica dos desertos (embora Behemoth também fosse como os hebreus chamavam os hipopótamos).

“Contemplas agora o beemote, que eu fiz contigo, que come a erva como o boi. Eis que a sua força está nos seus lombos, e o seu poder nos músculos do seu ventre. Quando quer, move a sua cauda como cedro; os nervos das suas coxas estão entretecidos. Os seus ossos são como tubos de bronze; a sua ossada é como barras de ferro. Ele é obra-prima dos caminhos de Deus; o que o fez o proveu da sua espada.
Em verdade os montes lhe produzem pastos, onde todos os animais do campo folgam. Deita-se debaixo das árvores sombrias, no esconderijo das canas e da lama. As árvores sombrias o cobrem, com sua sombra; os salgueiros do ribeiro o cercam.
Eis que um rio transborda, e ele não se apressa, confiando ainda que o Jordão se levante até à sua boca. Podê-lo-iam porventura caçar à vista de seus olhos, ou com laços lhe furar o nariz?’
Na tradição judaica ortodoxa, o Beemote é o monstro da terra por excelência, em oposição ao Leviatã, o monstro do mar, e Ziz, o monstro do ar.
Segundo a tradição judaica ortodoxa, a missão do Beemote é esperar pelo dia em que Deus lhe pedirá para matar o Leviatã, uma criatura marinha tida por alguns como parecida com uma baleia. As duas criaturas morrerão no combate, mas o Beemote será glorificado por cumprir a sua missão. Então, a carne dos dois monstros será servida em banquete aos humanos que sobreviverem.”

Ééééé. A festa vai ser boa pelo visto. Acho que já tenho uma ideia do que fazer. Um detector de metal deve ser útil pra achar esses carinhas de ossos de bonze e ferro. E provavelmente eles evitam água. Devem ser pesados demais pra nadar. Se for lutar contra eles, tomar cuidado com as pernas e mirar no ventre. Mas será que existem outros? Estou pensando nessas árvores sombrias agora, e nos salgueiros. Será que procuro algo assim? “Deita-se debaixo das árvores sombrias, no esconderijo das canas e da lama.” Vou levar isso para a turma do barulho. Vai que eles acham sentido nisso…

Até lá, preciso de duas coisas: encontrar com WARLOCK, ele deve me ajudar a encontrar informações sobre o “pastor” (pfff…só eu acho irônico um pastor ser um boi mitológico?!?!) e procurar agora se alguém está comercializando chifres de Behemoth… vamos ver o que vai sair dessa moita…

Will Allisther

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