Narrativa: O Poder do Narrador

Eu sou um defensor da ideia de que podemos jogar RPG de forma errada – seja dentro do sistema ou no ambiente de jogo. Além de preconceito, brigas e rixas, quando estamos sentados do lado da mesa que tem o controle sobre a história, podemos parar de ver a nossa função como narrador, mediador ou árbitro de regras e nos colocarmos como autoridade absoluta.

A melhor posição que podemos tomar é a te interceptar momentos onde as regras são dúbias, fazendo o nosso melhor para encorajar o debate tranquilo, tentando alcançar um meio termo bom para todos. Para isso, é interessante também definir bem quais regras estão sendo usadas antes do jogo começar. Isso evita inconsistências e injustiças durante a partida; permitindo que o jogo aconteça de forma tranquila.
Detalhar coisas como “Quantos metros tem uma zona?”, “Há regras de especialização de perícias ou posso usar uma única perícia para tudo que ela abrange?”, “Essa façanha precisa de um ponto de destino para ser ativada?”, entre outras questões. Também, é interessante deixar bem claro os detalhes sobre o universo de jogo e o poder relativo dos personagens com relação ao mundo no geral.
O debate do grupo é uma excelente forma de definir bem os detalhes de forma que todos fiquem confortáveis com as definições do jogo. Devemos fazer isso com frequência, para termos decisões unilaterais; não visando apenas o narrador ou um jogador, mas o grupo inteiro, bem como a história. Se fizermos disso um hábito, o próprio grupo passará a se policiar e cobrar mais uns dos outros. Os próprios jogadores sentirão que estão passando dos limites, ou alguém na mesa conterá os ânimos, caso algo esteja caminhando para fora do que foi esperado e combinado.
Ou seja, o trabalho do narrador é de julgar da melhor forma o uso das regras, e não ser a autoridade máxima que dita como as coias devem ser o tempo todo. Devemos permitir que todos façam parte do jogo, e não apenas nós mesmos. Isso pode tornar as coisas interessantes, em especial por fazer a história caminhar por estradas inesperadas, com a participação de todos, mas sempre, de forma equilibrada.

Bom jogo e +4 a todos

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Fábio Silva

Amante de jogos de mesa, violino e jazz. Brinca de escrever e desenhar numa casinha do interior, com sua esposa e muitos gatos (são muitos mesmo).

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